Veja esta breve coleta de dados, feita ao redor do mundo:
AUSTRÁLIA: Segundo o Instituto Internacional de Diabetes, da Austrália, “o diabetes é um dos mais desafiadores problemas de saúde do século 21”.
CINGAPURA: Cerca de um terço das pessoas de 30 a 69 anos tem diabetes. Muitos diabéticos são crianças— algumas de só 10 anos de idade.
ESTADOS UNIDOS: Há cerca de 16 milhões de diabéticos, e uns 800.000 casos novos são diagnosticados por ano. Milhões têm a doença, mas ainda não o sabem.
ÍNDIA: Pelo menos 30 milhões são diabéticos. “Era muito raro termos um paciente com menos de 40 anos, uns 15 anos atrás”, diz um médico. “Hoje, um em cada dois pacientes é dessa faixa etária.”
Tratar o diabetes fica mais difícil porque a pessoa pode ter a doença muito tempo antes de ser diagnosticada. “Visto que os primeiros sintomas são relativamente leves”, diz a revista Asiaweek, “o diabetes muitas vezes passa despercebido”. É por isso que ele tem sido chamado de assassino silencioso.
O significado do nome
O nome “diabetes melito” vem de uma palavra grega que significa “sifonar” e de uma palavra latina que significa “doce como mel”. Essas palavras descrevem bem esse distúrbio, pois a água, desde a boca, escoa pelo corpo do diabético como se fosse por um sifão, passando pelo trato urinário e daí rapidamente para fora. Além disso, sua urina contém um alto teor de açúcar. De fato, antes da descoberta de técnicas mais eficientes, um dos exames para diabetes era derramar urina do paciente perto de um formigueiro. Se as formigas fossem atraídas, isso indicaria a presença de açúcar na urina.
O papel da glicose
A glicose é o combustível dos trilhões de células do organismo. Para penetrar nas células, porém, ela precisa de uma “chave” — a insulina, uma substância química produzida pelo pâncreas. No caso do diabetes tipo 1, a falta de insulina é absoluta. No tipo 2, o corpo produz insulina, mas em geral insuficiente.* Além do mais, as células resistem à entrada da insulina — uma situação chamada de insulinorresistência. Em ambas as formas de diabetes, o resultado é o mesmo: células famintas de glicose e níveis perigosos de açúcar no sangue.
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico da pessoa ataca as células-beta, produtoras de insulina no pâncreas. Assim, o diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, causada pelo próprio sistema imunológico e às vezes chamado de diabetes imune-mediada. Entre os fatores que podem desencadear uma reação imunológica estão os vírus, as substâncias químicas tóxicas e certos medicamentos. A herança genética também pode influir, pois o diabetes tipo 1 muitas vezes se manifesta em vários membros de uma mesma família, e é mais comum entre os caucasianos.
Molécula de glicoseNo caso do diabetes tipo 2, o fator genético é ainda mais forte, mas com incidência maior entre não-caucasianos. Os aborígines australianos e os americanos nativos estão entre os mais afetados, e estes últimos têm a maior incidência de diabetes tipo 2 do mundo. Os pesquisadores estudam a relação entre genética e obesidade, bem como a maneira em que o excesso de gordura parece aumentar a resistência à insulina em pessoas com propensão genética para isso.Diferentemente do tipo 1, o diabetes tipo 2 acomete principalmente pessoas com mais de 40 anos.
A função do pâncreas
Mais ou menos do tamanho de uma banana, o pâncreas fica bem atrás do estômago. Segundo o livro “Guia Não-Oficial para Conviver com o Diabetes” (em inglês), “o pâncreas sadio realiza um contínuo e primoroso serviço de equilíbrio, mantendo uniformes e estáveis os níveis de açúcar no sangue por liberar a quantidade exata de insulina à medida que os níveis de glicose sobem e descem durante o dia”. As células-beta dentro do pâncreas são a fonte do hormônio insulina.
Quando as células-beta não produzem insulina suficiente, a glicose se acumula no sangue, causando a hiperglicemia. O contrário — baixo teor de açúcar no sangue— chama-se hipoglicemia. Junto com o pâncreas, o fígado ajuda a controlar os níveis de açúcar sanguíneo, estocando o excesso de glicose numa forma chamada glicogênio. Ao receber ordens do pâncreas, o fígado reconverte o glicogênio em glicose para uso do organismo.
A função do açúcar
É um equívoco comum achar que ingerir muito açúcar causa diabetes. Evidências médicas mostram que engordar — independentemente do consumo de açúcar— aumenta os riscos entre pessoas com propensão genética ao diabetes. Mesmo assim, ingerir muito açúcar não é saudável, pois é pouco nutritivo e contribui para a obesidade.
Outro equívoco é pensar que os diabéticos gostam demais de açúcar. Na verdade, eles gostam tanto de doces como a maioria de nós. Se não for controlado, o diabetes pode provocar fome — mas não necessariamente de açúcar. Pessoas com diabetes podem comer doces, mas seu consumo de açúcar deve estar dentro das limitações de seu plano de dieta.
Segundo estudos recentes, uma dieta de alto teor de frutose — açúcar derivado de frutas e de vegetais — pode contribuir para a resistência à insulina e até mesmo para o diabetes em animais, independentemente de seu peso.
Diabetes em termos simples | ||
Pessoa saudávelDepois de uma refeição, o pâncreas (1) reage ao aumento de glicose (6) no sangue liberando a quantidade certa de insulina (4) | Moléculas de insulina (4) aderem a receptores (2) nas células musculares e em outras células. Isso, por sua vez, ativa “portas” (3) que permitem a entrada das moléculas de glicose (6) A glicose (6) é absorvida e queimada pelas células musculares. Assim, a taxa de glicose na corrente sanguínea volta ao normal |
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Diabetes tipo 1As células-beta no pâncreas (1), produtoras de insulina, são atacadas pelo sistema imunológico. Com isso, cessa a produção de insulina (4) | Sem a ajuda da insulina (4), as moléculas de glicose (6) não podem penetrar nas células | |
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Diabetes tipo 2Na maioria dos casos, o pâncreas (1) produz uma quantidade limitada de insulina (4) | Se os receptores (2) são menos sensíveis à insulina (4), as “portas” (3) necessárias para absorver a glicose (6) do sangue não se abrem A glicose (6) se acumula no sangue, impedindo processos vitais e danificando as paredes dos vasos (9) sanguíneos | |
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Por que é grave
O diabetes tem sido chamado de “distúrbio do próprio motor da vida”, e por bons motivos. Quando o organismo perde a capacidade de metabolizar a glicose, vários processos podem entrar em colapso, com possíveis conseqüências fatais. “As pessoas não morrem diretamente de diabetes”, diz o Dr. Harvey Katzeff, “elas morrem de complicações. Somos eficientes em evitar as complicações, mas deficientes em tratá-las, uma vez manifestadas”.
Existe esperança para os que sofrem de diabetes? Sim— se reconhecerem a gravidade do distúrbio e se submeterem a tratamento
Dieta e exercício
Embora o diabetes tipo 1 não possa ser evitado, os cientistas estão estudando os fatores de risco genético e tentando maneiras de suprimir um ataque do sistema de imunidade. “Com o tipo 2, o quadro é mais promissor”, diz o livro “Diabetes: Cuide de Suas Emoções bem como de Sua Saúde” (em inglês). “Muitos dos que talvez tenham uma propensão genética evitam o aparecimento de qualquer sinal dessa doença simplesmente por terem uma dieta equilibrada e se exercitarem com regularidade, permanecendo assim fisicamente aptos e com o peso dentro dos limites normais.”
Enfatizando o valor do exercício, a revista da Associação Médica Americana publicou um grande estudo feito com mulheres. Descobriu-se que “uma simples sessão de atividade física aumenta a absorção [pelas células do corpo] de glicose mediada pela insulina por mais de 24 horas”. Assim, o relatório conclui que “tanto o caminhar como a atividade vigorosa estão associados a reduções substanciais nos riscos de diabetes tipo 2 em mulheres”. Os pesquisadores sugerem pelo menos 30 minutos de atividade física moderada na maioria, ou em todos, os dias da semana. Pode ser algo tão simples como caminhar, que, como diz o “Guia Completo da Associação Americana de Diabetes” (em inglês), “é provavelmente a melhor, a mais segura e a menos dispendiosa forma de exercício”.
No entanto, os diabéticos devem se exercitar sob supervisão médica. Uma das razões é que o diabetes pode danificar o sistema vascular e os nervos, afetando a circulação sanguínea e a sensibilidade. Assim, um simples arranhão no pé pode passar despercebido, infeccionar e virar úlcera — um quadro grave que pode levar à amputação, se não for tratado logo.^
Não obstante, um programa de exercícios pode ajudar a controlar o diabetes.



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